ㅤㅤComeçando um novo abismo no qual cairemos. Me desculpe, me perdoe, lhe imploro. Sou como rainha má vestida de branco e atingida por sangue. Sangue nosso. Estou cavando tua cova, mas a minha promete ser maior. Estou chorando tuas lágrimas e minhas, enquanto vejo-te derramar apenas as tuas. Meus dedos sob teus lábios e só sabes dizer: Não me olhe. Não me toque. Suma ou vá embora; enquanto insisto por um último beijo tenebroso. Com teu coração, meu coração despedaçado, esfoliado. E eu sei onde erramos e por que erramos.
ㅤㅤE a ferida dos nossos peitos deixam sinal da ruína, enquanto tentamos ser nós mesmos. Antes que pare com as batidas do meu coração, antes que vá contra o tempo. E eles então nos dão o passa-porte de ida. Não há volta. A carta sob a mesa inteiramente levada pelo vento. E eu tento com as mãos tremulas escrever-lhe outra. Não adiantou as proibições, nos perdemos de nós mesmos.
ㅤㅤTua voz exigindo explicações, teus berros querendo concertos, desejando somente a minha morte e não a tua. Você não morreu. Nem eu. Só nós. Só o nós. Isso te deixará mais forte no final, bem final. Lhe prometo. Não me venha a dizer que não há promessa no meu ser. Lhe prometo, meu doce. Eu só quero tua harmonia. Eu só quero sorrisos felizes de ti. Foi o jeito em que achei, em que me encaixei. Em que nós poderíamos sorrir juntos, contadores de poesias. De piadas. De atrapalhadas.
ㅤㅤAquela cama jamais desarrumada há de chorar. Começou pela ponta dos dedos, acabou pela ponta dos pés. O gosto do teu café jamais feito pra mim será guardado. O encontro nunca poderá ser reencontrado, nunca existira. Sempre foi mais verdade do que eu. Embora por anos tiver sido mentira tosca, fosca. Te renovaria por anos se fosse necessário (e é) mas eu lhe apodreceria com os olhos. Te levantaria a busca de nuvens comestíveis. Mas eu a transformarias em pó sujo e construtor de alergias. Te beijaria as costas nu e prometeria nunca mais prometer. E ceder a promessa a você.
(Fernanda Lionetti)
sábado, 10 de março de 2012
...
ㅤㅤDe pés calejados, cansados, tento bailar por aí. Sem encontrar abrigo fresco. Morna e carregável. Jogando para escanteio o peso de meu coração quente e palpitante. E então se torna superável. E então me torno carga fácil. Não encosto meus joelhos ao chão, meus cotovelos não estão mais ralados. Sinto-me passarinho livre. O vento fresco rodeando-me toda trazendo prazer e aconchego. Porém… Encontro vestígios de desejos não realizados no fundo dos olhos e no frio do coração.
ㅤㅤCarrego no ombro saudades e vontades, mas é fácil lhe dar com isso quando se tem pão, manteiga, muita cafeína. E você… Não sinto cheiro enjoativo no meu perfume, não vejo roupas amareladas de velhice, a casa não está tão empoeirada e as xícaras estão bem detalhadas. Tudo parece bom, me tornando forte e incrédula. Levantando-me todos os dias e tomando café da manhã com mesa bagunçada, com uvas verdes e roxas misturadas… Ainda sou bagunça, mas melhor ser bagunça a ser nada.
(Fernanda Lionetti)
ㅤㅤCarrego no ombro saudades e vontades, mas é fácil lhe dar com isso quando se tem pão, manteiga, muita cafeína. E você… Não sinto cheiro enjoativo no meu perfume, não vejo roupas amareladas de velhice, a casa não está tão empoeirada e as xícaras estão bem detalhadas. Tudo parece bom, me tornando forte e incrédula. Levantando-me todos os dias e tomando café da manhã com mesa bagunçada, com uvas verdes e roxas misturadas… Ainda sou bagunça, mas melhor ser bagunça a ser nada.
(Fernanda Lionetti)
Meu caro amado, és complicado
ㅤㅤSeus olhos são azuis, me perco neste céu. Seus lábios são dourados, parecem pão-de-mel. A escala é cheia de curvas recheada de pequenas facas cortantes. Você deve ir descalço para ser um bom amante. Salvar uma vida não é tão fácil quanto alvejante. Pular nu no riacho sem saber nadar é a espera que alguém vá te salvar, e em pleno contato com teu corpo se apaixonar. A chuva destrói a torre de papel que fez beira-mar, e até a árvore de Natal para uma seia de jantar.
ㅤㅤChamo-lhe para deitar em redes rasgadas e tomar café frio de ontem em xícara esgaçada, enquanto nos delírios dum amanhã; precisamos namorar. Bagunço tua blusa retirada das mãos de tua mãe que se pôs a passar, só pra você passear bagunçado e ninguém te olhar. Que bobagem a minha “ninguém te olhar”, todo mundo te olha, até em pleno luar. Luar lindo de vibrar e todo mundo a te olhar. A churrasqueira da esquina lhe da churrascos sem cobrar, a padeira lhe da o pão caprichado do café-da-manhã, a dona do restaurante lhe da o almoço e de cortesia da cortesia o jantar.
ㅤㅤVocê comprime meu desgasto. Você é o bom chefe da cidade que namora a menina “por bondade”, bondade e saudade de quem chora de verdade. Numa manhã de terça-feira me olha apetitoso querendo meu eu todo. Você é sal misturado com açúcar. É gostoso e é a cura. Não enjoa não se é dispensável. É pequeno miado em plena latidão. Faz-me de tonta em frente à porta de tua casa; e aí sinto mel caindo em meu cabelo que depois de duas horas no cabeleireiro estava pronto. Vem manhoso dizendo que me adora, até debulhar em mim tua garrafinha de água, e borrar a maquiagem totalmente trabalhada. Que pirraça! Que pirraçada esse menino é. Dizendo em voz silenciosa, que se não fizesse esforços não ouviria: Prefiro-te assim, natural e bagunçada, desorientada e imperfeita a seu ver. Mas perfeita aos meus olhos. Mas perfeita aos olhos de quem um dia ao menos teve um pouco do teu querer.
ㅤㅤPirracento, estranho e im(perfeito) é meu amado jovem. A lareira não queima mais que nós dois sentados naquela poltrona que se abre quando nossos corações se entregam. Não há fogo mais quente que nós dois em pleno mês de Verão. Nossos chãos derretem e ficamos caindo num abismo perfumado. Têm seu cheiro, tem o meu. O Perfume que se junta quando nossos corpos pedem por mais. Você é gozado. E Eu gosto assim. Em noites de verão ficamos assim, como ontem a noite, nunca chega num fim.
(Fernanda Lionetti)
ㅤㅤChamo-lhe para deitar em redes rasgadas e tomar café frio de ontem em xícara esgaçada, enquanto nos delírios dum amanhã; precisamos namorar. Bagunço tua blusa retirada das mãos de tua mãe que se pôs a passar, só pra você passear bagunçado e ninguém te olhar. Que bobagem a minha “ninguém te olhar”, todo mundo te olha, até em pleno luar. Luar lindo de vibrar e todo mundo a te olhar. A churrasqueira da esquina lhe da churrascos sem cobrar, a padeira lhe da o pão caprichado do café-da-manhã, a dona do restaurante lhe da o almoço e de cortesia da cortesia o jantar.
ㅤㅤVocê comprime meu desgasto. Você é o bom chefe da cidade que namora a menina “por bondade”, bondade e saudade de quem chora de verdade. Numa manhã de terça-feira me olha apetitoso querendo meu eu todo. Você é sal misturado com açúcar. É gostoso e é a cura. Não enjoa não se é dispensável. É pequeno miado em plena latidão. Faz-me de tonta em frente à porta de tua casa; e aí sinto mel caindo em meu cabelo que depois de duas horas no cabeleireiro estava pronto. Vem manhoso dizendo que me adora, até debulhar em mim tua garrafinha de água, e borrar a maquiagem totalmente trabalhada. Que pirraça! Que pirraçada esse menino é. Dizendo em voz silenciosa, que se não fizesse esforços não ouviria: Prefiro-te assim, natural e bagunçada, desorientada e imperfeita a seu ver. Mas perfeita aos meus olhos. Mas perfeita aos olhos de quem um dia ao menos teve um pouco do teu querer.
ㅤㅤPirracento, estranho e im(perfeito) é meu amado jovem. A lareira não queima mais que nós dois sentados naquela poltrona que se abre quando nossos corações se entregam. Não há fogo mais quente que nós dois em pleno mês de Verão. Nossos chãos derretem e ficamos caindo num abismo perfumado. Têm seu cheiro, tem o meu. O Perfume que se junta quando nossos corpos pedem por mais. Você é gozado. E Eu gosto assim. Em noites de verão ficamos assim, como ontem a noite, nunca chega num fim.
(Fernanda Lionetti)
ㅤㅤEmbaralho-me, despedaço-me, esmigalho-me, por você, como se tu fosses meu abrigo mais aconchegante, meu castelo mais radiante, minha confusão mais brilhante… Me seguro a você, como se pudesse me salvar, como se fosses meu remédio, levemente nossas mãos vão se desgrudando, se descolando, como se cola alguma pudesse fazer grudar, ficar. Um grande espaço ainda não preenchido faz confusão. E sinto-me vazia.
ㅤㅤAmor, há sorrisos meio a tantos escombros. Há presentes por detrás dos cômodos. Há suavidade no tombo dos ombros. E promessas vão e vem. E continuo sem você. Sem te ter. Ver.
ㅤㅤMas, há, há finais felizes por detrás disto tudo engolindo o escuro… Há ritmo seguro balançando sem esturros.
(Fernanda Lionetti)
ㅤㅤAmor, há sorrisos meio a tantos escombros. Há presentes por detrás dos cômodos. Há suavidade no tombo dos ombros. E promessas vão e vem. E continuo sem você. Sem te ter. Ver.
ㅤㅤMas, há, há finais felizes por detrás disto tudo engolindo o escuro… Há ritmo seguro balançando sem esturros.
(Fernanda Lionetti)
sexta-feira, 9 de março de 2012
Tanto faz outra vez
ㅤㅤVocê chega e tudo que espera é um beijo doce em seu rosto, um olhar adocicado. Mas parece que ele pensa que você pensa que os dois são separados. Nem olhar, nem beijinho ele nem lhe deu carinho.
Mesmo assim chegou de mancinho e logo esbarrou seus leves bracinhos, nos dele, que por mais estranho que seja, são leves também. E se olham e se imploram, um pelo outro, mas isso é tosco, não querem se apaixonar denovo. Sentem medo, pedem socorro.
ㅤㅤAliás, quem quer bolo?
ㅤㅤ- Qual sabor?
ㅤㅤ- Chocolate.
ㅤㅤ- Aceito.
(Fernanda Lionetti)
Mesmo assim chegou de mancinho e logo esbarrou seus leves bracinhos, nos dele, que por mais estranho que seja, são leves também. E se olham e se imploram, um pelo outro, mas isso é tosco, não querem se apaixonar denovo. Sentem medo, pedem socorro.
ㅤㅤAliás, quem quer bolo?
ㅤㅤ- Qual sabor?
ㅤㅤ- Chocolate.
ㅤㅤ- Aceito.
(Fernanda Lionetti)
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